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Quanto mais próximo à menarca, maiores as repercussões nutricionais,
pois o processo de crescimento ainda está ocorrendo. Sendo assim,
o crescimento materno pode sofrer interferências por que há uma demanda
extra requisitada para o crescimento fetal. Lembramos ainda que na
adolescência há necessidades maiores de calorias, vitaminas e minerais
e estas necessidades somam-se àquelas exigidas para o crescimento
do feto e para a lactação.
Muitas vezes, por medo da reação da família, ou da sociedade de um
modo geral, a adolescente "esconde" a gravidez o máximo possível,
iniciando o pré-natal tardiamente, ou até mesmo chegando ao parto
sem ele.
As complicações obstétricas na adolescente vão desde anemia, ganho
de peso insuficiente, hipertensão, infecção urinária, DST, desproporção
céfalo-pélvica, prematuridade, aborto, até complicações puerperais.
Para o bebê, baixo peso ao nascer, Apgar mais baixo, doenças respiratórias,
trauma obstétrico, além de maior freqüência de doenças perinatais
e mortalidade infantil. Muitas dessas complicações poderiam ser evitadas
ou até minimizadas com um pré-natal adequado. Deve-se considerar que
estes riscos se associam não só a idade materna, ou ao pré-natal inadequado
ou insuficiente, mas também a outros fatores, como a baixa escolaridade,
baixa condição socioeconômica, intervalos curtos entre os partos (<
de 2 anos) e estado nutricional materno comprometido.
Quanto mais jovem for a mãe, ou quanto menor a idade ginecológica
(< de 2 anos), maior a tendência a complicações biológicas. Devido
à imaturidade e instabilidade emocional podem ocorrer importantes
alterações psicológicas. Muitas vezes, a adolescente não consegue
assimilar e trabalhar de forma coerente a inversão de papéis, ou seja,
ser filha em segundo plano para ser mãe em primeiro, gerando extrema
dificuldade em adaptar-se à sua nova condição, e exarcebando sentimentos
que já estavam presentes antes da gravidez, como ansiedade, depressão
e hostilidade.
Essa insatisfação pelo "futuro não planejado" acaba se tornando grande
responsável pelo alto número de separações entre jovens casais. No
caso da maternidade ou paternidade precoce de um adolescente, contrariando
os desejos dos adultos, pais ou profissionais, que imaginam para seus
filhos suas vidas organizadas por etapas - escolarização, profissionalização,
trabalho, casamento, filhos - é de extrema importância a atuação da
família, não para punir, mas para orientar sobre os deveres e responsabilidades
na construção da nova família.
Após o choque inicial com relação à gravidez precoce, a família acaba
por acolher a filha, e dá total apoio durante a gestação. Porém, após
o nascimento, inicia-se um processo de cobrança por parte da família,
do tipo "ta vendo, agora você não pode mais sair" ou "viu no que deu
você não me escutar?" e assim por diante, imaginando que ao adotar
essa postura, de que o filho foi uma castigo ou um erro, a jovem irá
evitar uma nova gravidez. Porém, só servirá para diminuir a auto estima,
aumentar sua necessidade de afeto, carinho e apoio, e muito provavelmente
a busca por uma nova gravidez.
Denise P. Bueno da Silva - Psicóloga/Doula CRP:
06/21182
ddbueno@novaodessa.com.br |
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