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A
própria sociedade, além da família, tem uma grande participação nas
atitudes individuais do adolescente. Com as profundas mudanças em
sua estrutura, a sociedade, atualmente, tem aceitado melhor a sexualidade
na adolescência, sexo antes do casamento e também a gravidez na adolescência.
Portanto tabus, inibições e estigmas estão diminuindo e a atividade
sexual e gravidez aumentando. Por outro lado, dependendo do contexto
social em que está inserida a adolescente, a gravidez pode ser encarada
como evento normal, não problemático, aceito dentro de suas normas
e costumes.
Alguns trabalhos mostram que a religião tem participação importante
sobre o comportamento sexual do adolescente. Adolescentes que têm
atividade religiosa apresentam um sistema de valores que os encoraja
a desenvolverem comportamento sexual responsável. É o caso do crescimento
de novas religiões evangélicas, que são, de um modo geral, bastante
rígidas no que diz respeito à prática sexual pré-marital. Alguns profissionais
de saúde que trabalham com adolescentes têm a impressão de que as
adolescentes que freqüentam essas igrejas iniciam a prática sexual
mais tardiamente, porém, não há pesquisas comprovando essas impressões.
A Organização Panamericana de Saúde atribui o aumento do número de
filhos de mães menores de 20 anos de idade ao fato de que "o conhecimento
sobre a relação sexual livre se difunde mais rapidamente entre os
adolescentes, que o conhecimento sobre os efeitos biológicos e psicológicos
adversos da gravidez nessa idade, tanto para a mãe quanto para o filho".
As implicações acarretadas por uma gravidez precoce variam entre biológicas,
familiares, emocionais e econômicas, além das jurídico-sociais, que
atingem o indivíduo isoladamente e a sociedade como um todo, limitando
ou mesmo adiando as possibilidades de desenvolvimento e engajamento
dessas jovens na sociedade.
A OMS (Organização Mundial de Saúde/1977,1978), considera a gravidez
na adolescência como de alto risco, devido às repercussões sobre a
saúde da mãe (seu corpo ainda não está formado adequadamente para
a maternidade) e do bebê (sofre a influência da imaturidade física
e psíquica da mãe). Porém, atualmente postula-se que os riscos são
mais significativos socialmente e emocionalmente que biologicamente
para ambos. As conseqüências de uma relação sexual que implica uma
gravidez, aparecem tardiamente e a longo prazo, tanto para a mãe,
como para o bebê. Por um lado, a adolescente poderá apresentar problemas
de crescimento e desenvolvimento, emocionais e comportamentais, educacionais
e de aprendizado, dificuldade em atividades sexuais futuras além de
complicações na gravidez e problemas no parto. Por outro, dependendo
do grau em que essas complicações afetaram a vida dessa adolescente,
as conseqüências serão sofridas pelo bebê, como rejeição, maus tratos,
carência afetiva, entre outros....
Continua...
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