| Inúmeras
pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes
épocas, particularmente nas décadas finais do
século XX, confirmam que a influência da música
no desenvolvimento da criança é incontestável.
Algumas delas demonstraram que o bebê, ainda no útero
materno, desenvolve reações a estímulos
sonoros. |
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Em
pesquisa realizada na Universidade de Toronto, Sandra Trehub (apud
CAVALCANTE, 2004) comprovou algo que muitos pais e educadores já
imaginavam: os bebês tendem a permanecer mais calmos quando
expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração
do andamento da música, ficam mais alertas.
Nossas
avós também já sabiam que colocar um bebê
do lado esquerdo, junto ao peito, o deixa mais calmo. A explicação
científica é que nessa posição ele sente
as batidas do coração de quem o está segurando,
o que remete ao que ele ouvia ainda no útero, isto é,
o coração da mãe. Além disso, a eficácia
das canções de ninar é prova de que música
e afeto se unem em uma mágica alquimia para a criança.
Muitas vezes, mesmo já adultos, nossas melhores lembranças
de situação de acolhimento e carinho dizem respeito
às nossas memórias musicais. Já presenciamos
vivências em grupos de professores que, a princípio,
não apresentavam memórias de sua primeira infância.
Ao ouvirem certos acalantos, contudo, emocionaram-se e passaram
a relatar situações acontecidas há muito tempo,
depois confirmadas por suas mães.
Fetos reagem a estímulos sonoros externos e, portanto, deve
ser benéfico que a mãe possa desenvolver atividades
musicais. Se você teve a oportunidade de aprender um instrumento
musical, pratique-o muito durante a gravidez. Caso não seja
esse o seu caso, cante bastante, pois esse instrumento – a
voz – está bem aí ao seu alcance: utilize-o,
entre para um coral, aprenda cantigas de ninar, cante no banheiro!
Além
de cantar, ouça também boa música. Aproveite
esse período para ficar a par de boas produções
musicais para criança. Muitos pais reclamam, com razão,
do lixo musical que infesta os grandes meios de comunicação.
Contudo, há um razoável número de CDs de boa
qualidade, voltado para o público infantil, como por exemplo,
toda a obra de Bia Bedran, a Coleção Palavra Cantada,
entre outros. Vale a pena buscar aqueles discos de vinil que fizeram
sua alegria quando pequena (Saltimbancos, Arca de Noé, Coleção
Disquinho), pois a maior parte deles já se encontra remasterizada
para CD. Se você se dispuser a formar um pequeno acervo, não
se preocupe com o lixo que seu filho ouvirá lá fora:
oferecendo outras alternativas, dentro de casa, certamente ele terá
meios para uma escolha mais crítica.
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