Mães de crianças
em torno de 3 anos sabem a grande dificuldade que estas apresentam quando se trata
de dividir. Há quem entenda isso como um mimo exagerado, egoísmo e até mesmo,
maldade.
Infelizmente, muitas babás não entendem a dificuldade que as
crianças têm em dividir e partilhar. Nesse caso, é indicado que a mãe mostre à
babá o porque dessa dificuldade, quais as possíveis soluções e a postura que se
deve adotar diante desse impasse.
A criança acredita que tudo existe e
acontece é em função dela e de suas vontades, como se ela fosse a razão de tudo
existir. Os próprios pais fazem com que ela acredite que tudo é dela e para ela.
Conforme ela cresce, vai percebendo que nem tudo é assim, que aquilo que é do
outro não lhe pertence e isso a frustra, pois ainda está adquirindo a capacidade
de absorver os limites, os próprios e os do mundo. Não sabe dividir o brinquedo
mesmo quando não está brincando? Quer as coisas que são do outro mas não quer
dividir o que é seu? Não se preocupe, isto é normal.
A princípio os pais
e parentes acham até engraçadinho a criança fazer essas birras, mas conforme ela
vai crescendo não aceitam mais esse tipo de comportamento que, além de não passar,
se acentua. Por volta dos três a quatro anos a criança leva esse egocentrismo
às ultimas conseqüências.
No anseio de resolver o problema que a maioria
tende a julgar como um traço negativo no caráter da criança, os pais criam meios
de acabar com isso imediatamente como, por exemplo, criticá-la severamente, forçá-la
a partilhar, obrigá-la a dividir, compará-la com outras crianças mais velhas e,
até mesmo, humilhá-las diante dos outros.
O que eles não percebem é que
a criança pode até obedecer para não os desagradar, por medo de perder o amor
dos pais. Mas, com razão, a criança ficará magoada e até descrente da compreensão
dos adultos.
Este comportamento diminui gradativamente, a partir de demonstrações
de aceitação e elogios dos pais. A babá é muito importante no desenvolvimento
das crianças, portanto, sua aprovação e exemplo também se tornam essenciais para
a mudança dos hábitos considerados negativos.
O adequado é acolher o sentimento
relacionado com a frustração e ao mesmo tempo colocar o limite, sem agressões,
com afeto. Por exemplo: "brinca um pouco com este brinquedo e depois vamos levar
pro amiguinho brincar junto !!!", "sei que às vezes você quer tudo pra você, mas
é importante aprender a dividir, é legal, a gente faz amigos, quer ver??" Vivendo
com essas pessoas amorosas e compreensivas que não a castiguem ou obriguem, nem
passem sermões que ela ainda nem é capaz de compreender, a criança irá superar
com maior facilidade e rapidez esta fase. Sentindo-se segura do afeto será mais
fácil lidar com as frustrações.
|