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Era
Uma vez uma lebre muito veloz e convencida. Vivia rodeada de fãs,
sempre se gabando:
- Sou a melhor corredora da face da Terra. Ninguém é
capaz de me derrotar.
Uma tartaruga, passando por perto e ouvindo toda aquela prosa,
retrucou:
- Ora! Pare de contar vantagens! Deve existir alguém que
lhe vença!
- Quer tentar?
Ao dizer isso, a lebre dobrou-se de tanto rir, arrastando atrás
de si um coro de gargalhadas.
Ferida em seus brios, a tartaruga, sem pensar duas vezes, aceitou
o desafio.
No dia, local e hora marcados, as duas postaram-se lado a lado.
Ao ser dado o sinal, saíram em disparada.
A lebre, obviamente, pegou a dianteira.
Passando algum tempo, confiante na sua enorme vantagem, resolveu
dar uma paradinha e descansar.
- Vou tirar uma soneca. Quando a Dona Vagarosa aparecer por aqui,
acordo e completo o percurso.
Espichou-se à sombra de uma árvore e adormeceu.
A tartaruga, persistente, continuou correndo, sem perder um minuto
sequer.
Chegando ao local onde a lebre dormia, passou pé ante pé,
pra não acordar a rival, e seguiu em frente.
Ao acordar, a lebre não viu nem a sombra da adversária.
Deu um sorriso e pensou:
- Se ela não desistiu, deve estar bem longe ainda.
Ia cochilar um pouco mais, quando percebeu marcas no chão.
- São rastros de tartaruga! Dormi demais!
Saiu em disparada, tentando recuperar o tempo perdido.
Mas, naquela altura, a tartaruga estava quase cruzando a linha
de chegada.
A lebre, vendo o seu prestígio ir por água abaixo,
acelerou o mais que pôde, mas tropeçou nas próprias
pernas e estatelou-se no chão.
Assim, com seu passinho devagar podem até não acreditar,
a tartaruga foi a vencedora.
A convencida? Bem, essa sumiu do mapa!
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